domingo, 30 de dezembro de 2007

 

 

madrugada

 

 

se nos encontrarmos de novo*
que seja
nos antípodas do ocaso.



* Ana Teresa Pereira

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posted by saturnine | 19:49 | 0 comments

 

 

 

 

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sexta-feira, 13 de julho de 2007

 

 

transparências

 

 

estes braços
insuficientes para o teu corpo
respiram a custo
o ar transparente
das manhãs       coroadas de luz.


10 de Dezembro de 2005

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mínimo

 

 

mesmo se ensaio
erro o gesto
- é cedo ainda.

27 de Outubro de 2005

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the expected unexpected has come

 

 

veio atrasado em mim o outono, mas veio cedo de mais o desmancho do mundo.

24 de Setembro de 2005

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dicionário do silêncio: noite

 

 

o negro espaço
guturalmente aberto
à imensidão das coisas inexplicáveis.

23 de Setembro de 2005

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inesperadamente -

a noite é um poço.

30 de Agosto de 2005

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das coisas simples #1

não falamos dos livros nem dos discos nem das árvores nem do rumor próprio das noites de verão ou dos mistérios do universo. estamos parados dentro de um momento. só sei daquellos ojos verdes, uma faca encostada à minha garganta. não falamos das coisas nem da terra, nem do desconhecimento que temos dos caminhos um do outro. é possível estar-se apenas tranquila num abraço - eu moro num abraço que me sustenta. um corpo é quanto basta. há uma felicidade implícita em ser-se mínima.

17 de Julho de 2005





das coisas simples #2

há-de ser um cansaço, um excesso, um crescimento, mas eu já não sei escrever grandes cartas aos fantasmas ausentes. já não sei demorar-me sobre a falta, já não sei tratar por tu as grandes perdas. não há de mim o que sobre para os graves lamentos. o amor tornou-se uma coisa lenta e contida, à parte de mim. já não há rosto algum que substitua a minha vida. ainda que nada se cumpra, ainda que me doa a sede à boca da garganta.

18 de Julho de 2005

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descendo >>>

descendo
ao último abrigo das palavras
a morte é tão só
uma sombra sobre a página.

10 de Julho de 2005

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sábado, 7 de julho de 2007

 

 

 

 

preâmbulo

silêncio na madrugada:
à entrada da claridade,
o perfume dos cravos percorre o quarto
o dia ensaia-se pelas janelas.

25 de Abril de 2005






transfiguração

dói-me o perfume excessivo das glícinias
arde-me o céu parado sobre a terra muda

como o verão a rebentar-me dentro das veias.

26 de Abril de 2005






intersecção

nos lugares perdidos
nada se move
mas acordaram os grilos, e festejam.

29 de Abril de 2005

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do minimalismo

 

 

não há palavras emergentes, ou há demasiado mundo à volta.

9 de Abril de 2005

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promessa

 

 

é quase possível crer
nos perfumes que flutuam rente aos muros

1 de Abril de 2005

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excesso

a promessa de luz
a manhã recortada
desmorona-se contra o vento da tarde.

29 de Março de 2005





defeito

o pouco sol incita-me —
— não fosse o medo, que imobiliza
qualquer palavra que não seja

                                                    mínima.

30 de Março de 2005





meio-tempo

não tenho corpo que baste
para enfrentar os dias magros de Março.

30 de Março de 2005

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respiração das sombras

 

 

nem as fontes nem o mar:
no meio do deserto
sentiria falta das árvores.

21 de Setembro de 2004

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little black stone

 

 

pedra de peito fora do lugar
é quase o mesmo
ter o coração nas mãos

20 de Setembro de 2004

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inflamação

 

 

compreendes
que não há mais nada
só os destroços e a distância.

8 de Setembro de 2004

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olha

entre a impressão
e a certeza
fiquemo-nos só
pelo tempo que passa.

9 de Agosto de 2004

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proposição

 

 

não fosse tanto o medo
e a sede
e seria tão fácil amar
um engano.

2 de Agosto de 2004

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

 

 

do ar parado entre as montanhas

 

 

à hora sem sombra
arde na praia o silêncio
e a tua mão no meu corpo.

9 de Junho de 2004

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sandstones

 

 

I

três pedras negras
habitam a minha sede

da sua quietude
se alimenta
a minha fome

     * * *

três pedras negras
uma      a      uma      as movo


     uma sobre o abismo
     uma sobre o deserto

     uma sob o sol.



II

três pedras negras
uma a uma as movo


uma sobre a pele
uma sobre o chão
uma sob a ferida.

10 de Maio de 2004

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*oásis*

aqui chegamos nós à beira da água
e ainda assim se cristaliza a substância da nossa sede
é o silêncio      o céu deserto      o azul esmagador
ou o sol sobre a ferida        a palavra sobre o chão.



4 de Maio de 2004

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* menina tangerina *

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