segunda-feira, 29 de outubro de 2007
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enquanto tu avanças, eu sou a que regressa sempre aos lugares antigos. por estes dias, entretenho-me a desejar que construas templos e palácios aos meus pés. enquanto tu não me felicitas sequer pela chegada do outono.
27 de Setembro de 2007Etiquetas: a ferida aberta |
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21:07
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
breu
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19:02
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sexta-feira, 13 de julho de 2007
transparências
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19:10
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tipologia do animal ferido
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19:00
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sábado, 7 de julho de 2007
nocturna
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18:38
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full moon is on the rise
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não tenho modo de dizer o que falta depois do teu corpo_
_______há dias a fio que nenhuma palavra me pede para nascer.
23 de Abril de 2005Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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18:32
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manhã luminosa
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é inequívoca e inexprimível a falta do teu corpo ante o excesso de luz
— o dia inteiro desenha-se sob as tuas pálpebras.
9 de Abril de 2005Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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18:29
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dos oásis
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na serra, onde o frio domina o excesso de espaço, onde cada lugar é ao corpo doloroso, rolar até ao outro lado da cama para alcançar o aparelho de música, é como atravessar um oceano inteiro — ou um deserto — em busca de água para saciar a sede.
29 de Novembro de 2004Etiquetas: a ferida aberta, little black spot, os montes habitados |
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18:20
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inscrição
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Saberás que não te amo e que te amo * saberás dos meus passos vãos dos meus ombros caídos saberás dessa outra morte que a tua partida descreve que me doem os olhos como dois sóis apagados.
verso de Pablo Neruda
13 de Julho de 2004Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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17:41
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
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a propósito de Daniel Faria
primeira explicação do amor
olha, é assim o amor cercar-me o verde dos teus olhos acolher o ardor do sol a amargura do silêncio junto à frágil negrura das sombras e beber da própria substância da nossa sede.
9 de Fevereiro de 2004
explicação do deserto
onde os outros ardem sustêm ferida assim sou eu — — feliz sob o sol.
11 de Fevereiro de 2004
explicação da luz
os ângulos da casa dobrados no recorte negro das sombras o lugar predisposto para o corpo pleno o sol queimando o chão pelas janelas
11 de Fevereiro de 2004
explicação do silêncio
o que não se sabe das profundezas da palavra o que não se pergunta
11 de Fevereiro de 2004
segunda explicação do deserto
ardem sob o sol fundas raízes mas é nesse árido sossego que a noite descansa e a água se prepara — — onde era a ferida aqui e além agora um jardim florido.
12 de Fevereiro de 2004
segunda explicação do amor
olha, é assim o amor — — a noite negra e longa que eternamente aguarda a manhã que nunca vem.
12 de Fevereiro de 2004
terceira explicação do amor
saber assim que o peito dói em vão.
12 de Fevereiro de 2004
explicação da manhã
acordar no pressentimento do orvalho respirar o ar frio rodeando as árvores seguir o dia aureolado de azul voluntariosos são os que acreditam no sol.
13 de Fevereiro de 2004Etiquetas: a ferida aberta, angularidades, deserto, little black spot, livro de explicações, minimal |
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20:48
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desmoronamento
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não me perguntes. de mim só sei que me doem estas noites assim bravias onde afinal nada parece de acordo com o meu improvável amor por ti.
4 de Fevereiro de 2004Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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20:40
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a partir de Daniel Faria
o que dói é aguardar-te por entre as sombras
tu que te demoras enquanto a eternidade se me acaba nas mãos
diz-me agora desses desertos azuis por onde te perdeste noutros braços eu que só conheço esta noite longa em que na espera me desfaço.
20 de Janeiro de 2004Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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20:30
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"as praias desertas continuam"
nem sempre a tristeza é triste por vezes é só outra coisa qualquer camisola velha pousada esquecida num canto escuro do armário mas na malha ainda a ideia prometida da ternura qualquer coisa como Jobim a rasgar a noite, uma inútil paisagem
e se é inverno e as mãos gelam e o peito dói imagino o abraço o cobertor a fogueira aqueço-me na própria ideia do calor.
16 de Dezembro de 2003Etiquetas: a ferida aberta, inverno, little black spot |
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20:08
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domingo, 10 de junho de 2007
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[poema de um desamor contínuo]
não é certo que me exiles que das tuas mãos nada cresça senão as pedras
o tecido desgastado do silêncio está já esticado à beira da ruptura um arco demasiado tenso que arrisca rebentar-me nos braços
este solo pisado e magoado vezes sem conta suspira já o cansaço de ser ruína ponte tactando lugar nenhum senão o degredo a que me votas
não posso mais - porque não posso - dar-me a este desconsolo nem a noite é já suficiente para que qualquer coisa se resgate
agora quero apenas a calma ou alguma coisa parecida um rumor imprevisto improvável
tudo menos este silêncio esta brutalidade com que pela indiferença me aniquilas.
3 de Setembro de 2003Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
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15:40
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sábado, 19 de maio de 2007
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*o sal na ferida*
três cordas tensas disputam o ponto exacto do desassossego uma ponte ou uma torre ou um arco ruindo na desolação destes dias inúteis.
qualquer coisa podia acontecer se apenas um vento breve soprasse
mas tudo reside incerto e imóvel um mesmo silêncio agudo a rodear-me como espuma descontente de ser branca e fria.
se ao menos um vento brando soprasse e qualquer coisa acontecesse
um barco ou navio ou jangada cruzasse o horizonte distante eu não tivesse de me fazer ao mar
tão despreparada
tão nua tão despida de ti.
1 de Setembro de 2003Etiquetas: a ferida aberta, little black spot |
posted by saturnine |
21:45
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