sábado, 7 de julho de 2007
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preâmbulo
silêncio na madrugada: à entrada da claridade, o perfume dos cravos percorre o quarto o dia ensaia-se pelas janelas.
25 de Abril de 2005
transfiguração
dói-me o perfume excessivo das glícinias arde-me o céu parado sobre a terra muda
como o verão a rebentar-me dentro das veias.
26 de Abril de 2005
intersecção
nos lugares perdidos nada se move mas acordaram os grilos, e festejam.
29 de Abril de 2005Etiquetas: little black spot, minimal, verão, you must believe in spring |
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18:33
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promessa
posted by saturnine |
18:27
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escuto a manhã, tacteando o sol. dizem os pássaros que chegou a estação das flores e que é tempo de ir à rua comprar um livro de Ana Teresa Pereira.
1 de Abril de 2005Etiquetas: little black spot, you must believe in spring |
posted by saturnine |
18:26
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silence, et puis. [Marguerite Duras]
o sossego, por fim. duros foram os meses deste sol diminuto, longas as noites cercadas de angústia. Sísifo rondava a casa, o sono perturbado pelo som das pedras a desgastar o tempo. agora, acabou. não mais atravessarei os dias apressada, não mais mais entrarei nas noites assombrada, não mais farei do outono os árduos caminhos do medo. acabaram-se as horas de reclusão, acabaram-se as tarefas inadiáveis, acabaram-se os monstros tenebrosos das coisas por fazer. tudo repousa, como massa de pão. o dia, agora, é meu. não mais andarei com pressa pelo meio das árvores nem esquecerei de prestar atenção ao som dos meus próprios passos. andarei vagarosa pela serra e absorverei todos os cheiros do inverno vindouro. o dia amanheceu claro, e eu respiro a felicidade das mãos frias e dos cachecóis coloridos. esta noite, o meu peito permaneceu desabitado. é com alívio que regresso dos subterrâneos.
20 de Novembro de 2004Etiquetas: a pedra de Sísifo, dos subterrâneos, little black spot, you must believe in spring |
posted by saturnine |
18:17
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
quiet nights of quiet stars
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está calma a noite, como é próprio do fim de Junho, na silenciosa dilatação das sombras até aos cantos da casa. mesmo à janela fechada pressinto o rumor das árvores. o ardor do solo. o grande olho amarelo dos girassóis sob os quais pasmo como se fossem templos. está calma a noite, pacífica, atlântica. o aperto no peito é o mesmo de sempre, constrangimento de saudade, é o não-aqui do teu corpo, e a promessa de um dia limpo no azul-negro que se estende sobre as ruas. qualquer coisa em mim tardou e eu atrasei-me para o verão. foi este o meu dia mais longo, de noite feita apenas para brevemente sonhar.
28 de Junho de 2004Etiquetas: little black spot, noite, you must believe in spring |
posted by saturnine |
17:53
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Maio
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parecia Maio ainda atrasado, demorado pelos arvoredos, ainda a vestir-se de folhas. Maia sobre a pedra, Maio sobre a terra, Maio sobre o pássaro. abre-se subitamente a tarde, Maio sacode no exterior a poeira fina do exílio da superfície das coisas. se por entre as nuvens, um raio de sol de escapa, é já suficiente para acender de amarelo o dia, e é já o meu reino prometido, dos lugares habitados pelo murmúrio antigos dos deuses nos jardins.
7 de Maio de 2004Etiquetas: little black spot, reinos, you must believe in spring |
posted by saturnine |
17:36
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do livro das explicações
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porque as heras já florescem rente aos muros porque as sombras se obliquam sobre o chão porque o ar levemente perfumado indica que estão próximos os dias das casas brancas de janelas abertas para o mar dos finais de tarde no silêncio das varandas uma memória ténue do odor das magnólias pode ser que seja Duras o livro pousado sobre o colo uma já certeza de verão mesmo se o vento ainda sopra frio nos caminhos.
25 de Março de 2004Etiquetas: little black spot, livro de explicações, you must believe in spring |
posted by saturnine |
17:04
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preparar o equinócio
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1 lidamos dia a dia com as pequenas mortes. por mim, só espero aquela que devolve à terra as folhas, que engendra das cinzas e do húmus o corpo justo que há-de vir.
2 a descida ao inferno não dura uma vida inteira só metade de nós se mistura com as sombras o resto permanece aguardando pacientemente o grão fértil que emerge sob o sol.
18 de Março de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica, terra, you must believe in spring |
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17:02
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
forget me not
posted by saturnine |
20:43
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à janela
posted by saturnine |
20:41
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