domingo, 30 de setembro de 2007
Radio Sol
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o verão está por toda a parte. pressentido nos muros que escaldam à emergência da tarde, nos corpos que se demoram a caminhar pelas ruas, nos rádios que tocam subitamente música antiga e fresca. como um cordão umbilical, a estação liga-nos à terra. saber que há um mar algures, cujas ondas rebentam, ritmadas, no seu perfume atlântico. desejar esse mar em antecipada alegria. há paragens distantes onde um coração pode ser feliz.
20 de Maio de 2007 Etiquetas: little black spot, mediterrânica, prosa |
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19:22
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
preparação
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O pátio está silencioso ao fim da tarde. Circundado por vastos cachos de rododendros e jasmim, que emergem da cal dos muros, é o lugar exacto do sol na hora do poente. Do outro lado, a estrada negra e deserta. Nenhum ruído perturba a quietude da cena. Nenhuma voz atravessa a cidade até à praia. Lentamente, adensa-se a penumbra — quase táctil — e azulam-se as sombras, em breve a noite riscará de negros contornos os corpos que se passeiam à beira-mar. Neste silêncio, amplo e imóvel, se acontece o medo é só porque alguns olhos, adentrando a escuridão, se parecem com estrelas longínquas.
21 de Abril de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica, noite, prosa |
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17:20
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das horas mansas
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dos lugares silenciosos
rente aos muros a claridade irrompe pelas janelas um quadrado azul recorta o silêncio interior
— da mesma substância da luz uma moradia de palavras habitada de contornos negros —
um canto subitamente feito claro o odor antigo do jasmim da madeira repousa na quietude das horas da tarde.
12 de Abril de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica |
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17:14
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dos perfumes
posted by saturnine |
17:11
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ausência
permitam-me um pouco do néctar em cuja falta padeço e morro permitam-me que me demore ao sol ou rente à claridade das varandas nada mais procuro que um sopro de verão que anime a fértil substância dos livros.
9 de Abril de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica |
posted by saturnine |
17:10
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preparar o equinócio
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1 lidamos dia a dia com as pequenas mortes. por mim, só espero aquela que devolve à terra as folhas, que engendra das cinzas e do húmus o corpo justo que há-de vir.
2 a descida ao inferno não dura uma vida inteira só metade de nós se mistura com as sombras o resto permanece aguardando pacientemente o grão fértil que emerge sob o sol.
18 de Março de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica, terra, you must believe in spring |
posted by saturnine |
17:02
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
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para a reconstrução de um mundo puro
num quarto fechado a luz não entra — — a noite longa crava-se nas paredes habitadas de negras sombras e tu não conheces senão os estreitos corredores do medo
não suspeitas que tão pouco te separa de um reino de sol onde serias luminoso e inteiro na medida justa do teu corpo onde habita o sopro dos deuses
— se soubesses tactear a manhã junto ao silêncio em que te assombras.
20 de Fevereiro de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica, reinos |
posted by saturnine |
21:45
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dedicatória
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estamos aqui e é nosso este lugar de sol é possível que doa o desencontro mas não importa porque o verão está à nossa espera e há que apressarmo-nos a despirmo-nos do medo
— agosto é o nosso reino e pertence-nos a luz que habita a terra no sul.
17 de Fevereiro de 2004Etiquetas: little black spot, mediterrânica |
posted by saturnine |
21:42
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[interior]
1 a casa fechada o verão demora-se pelas paredes brancas inclina-se a tarde pela praia
2 as janelas abertas de par em par um quadrado de luz rasga o silêncio o dia aureolado de azul
3 o rumor do mar ao longe os joelhos descansados sobre o chão os corredores de súbito inquietos é este o lugar que o medo habita
4 densas são as sombras negra a noite perfumada.
11 de Fevereiro de 2004
[exterior]
1 a estrada arde sob o hálito quente do deserto
2 nenhuma protecção tem o corpo contra o grande olho aberto do sol assim suspenso na paisagem
3 a pique o gume do silêncio recorta o negro contorno do lugar — aqui não perguntamos
4 dizem que os deuses andam por aqui e eu acredito se os vejo e pressinto na linha pura dos teus ombros.
12 de Fevereiro de 2004Etiquetas: angularidades, little black spot, mediterrânica, minimal |
posted by saturnine |
20:52
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a loja dos barros
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olho a ânfora e o meu ventre em concavidade semelhante ambos silenciam a ferida que dói e se abrem guardando o lugar vazio onde as lágrimas se acomodam junto ao sal do mar.
7 de Fevereiro de 2004Etiquetas: a intacta ferida, little black spot, mediterrânica |
posted by saturnine |
20:44
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sábado, 19 de maio de 2007
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[mediterrânica]
plenitude, inflamação e queda aguarda-me a mansidão das pedras de todos os muros desmoronados
a luz entrecortada de ângulos escapa-se pelas frestas das ruínas
onde era aqui um templo agora apenas sol e sombra
memória mediterrânica do que não chegamos a ser.
5 de Agosto de 2003Etiquetas: angularidades, little black spot, mediterrânica |
posted by saturnine |
21:28
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Pré-mediterrânica
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esperar como quem sobrevive à tarde morna e densa nas amoreiras
um quadrado de sol numa varanda silêncio no corpo de alguém
chega de longe um perfume desconhecido
- na polpa dos dedos o sabor doce das laranjas.
2 de Abril de 2007Etiquetas: mediterrânica, tangerina |
posted by saturnine |
19:44
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