sexta-feira, 13 de julho de 2007
mínimo
posted by saturnine |
19:08
|

" ---------------------------------------------------------------
posted by saturnine |
18:38
|

" ---------------------------------------------------------------
gestos mínimos
|
há demasiado mundo, demasiado sol, demasiada pele. existir assim tanto, num modo epicurista, pouco sobra para as palavras. morar dentro de uma água verde como fingir pertencer a uma moradia de férias. pela primeira vez, o verão chega-me a tempo e é bom não saber de mim.
9 de Junho de 2005Etiquetas: escrever, little black spot, os montes habitados, prosa |
posted by saturnine |
18:35
|

" ---------------------------------------------------------------
sábado, 7 de julho de 2007
do minimalismo
posted by saturnine |
18:30
|

" ---------------------------------------------------------------
sexta-feira, 22 de junho de 2007
post-scriptum
|
Era preciso escrever, mesmo apesar do cansaço, e da pesada fibra nocturna da penumbra. Escrever para resgatar o tempo que passa, os momentos que adiei para depois, escrever como quem procura salvar alguma coisa, sabendo bem — como Duras — que a escrita não salva de coisa nenhuma. E é verdade que os dias de sol não servem para escrever, aprendemos a guardar as palavras na margem da boca, para depois, porque a primeira urgência é apenas fruir do lento ardor do solo. Por isso se guarda este ofício para as noites, quando as sombras se abeiram da insónia, mesmo quando não há medo, mesmo quando há só silêncio pacífico. Respiro o azul-negro das horas tardias já em pressentimento do verão, a partir de agora sei que a minha estação está próxima e que em breve desenrolarei os membros entorpecidos, como asas guardadas pelo inverno. Acontece que voltei a ver com frequência o rosto diluído da mulher junto ao cais, o seu vestido branco ondulando ao sabor do vento, e sei que naquele ar há um perfume de magnólias. O mar está próximo, e sei que se caminhar, se a vir dar um passo, há-de ir pelo meio das ruas estreitas de uma vila pequena em direcção à praia, onde os muros brancos de cal ardem sobre o sol, e os amantes que passam descansam o medo à sombra das amoreiras.
27 de Abril de 2004Etiquetas: atlântica, escrever, little black spot, noite |
posted by saturnine |
17:22
|

" ---------------------------------------------------------------
|
*jasmim*
a palavra circunda um ponto branco mas não apreende a substância do seu perfume
é este o odor das noites ocupando o espaço todo disponível para o silêncio
escrever — — ainda tão distante da matéria do amor.
12 de Abril de 2004Etiquetas: escrever, little black spot |
posted by saturnine |
17:13
|

" ---------------------------------------------------------------
|
titubeando
ainda não passou ainda não é seguro que volte não é ainda tempo de assentar os pés neste chão
ouso apenas um risco para contrapôr ao silêncio
sem vestígio do hábito que matéria sustentaria os meus dias?
12 de Março de 2004Etiquetas: escrever, little black spot |
posted by saturnine |
17:01
|

" ---------------------------------------------------------------
quinta-feira, 21 de junho de 2007
apontamento
|
sabes que escrevo com as mãos frias. escrevo como quem escava, violento os dedos pálidos que desfalecem no rigor do inverno no interior deste quarto. há uma janela fechada e um telefone que hoje não toca. recordo vagamente este lugar, noutros tempos. recordo o mesmo frio, o mesmo canto escuro que tudo sabe de mim, este mesmo aperto no peito que é a minha respiração interna, e sempre sempre sempre a falta de alguma coisa, de um suspiro teu, um sopro, um afago, ou um vento quente pela noite, qualquer coisa que me acolha. há-de passar. a noite longa não durará para sempre. há já cheiro a pêssegos nos teus cabelos.
30 de Janeiro de 2004Etiquetas: do frio, escrever, little black spot, prosa |
posted by saturnine |
20:38
|

" ---------------------------------------------------------------
posted by saturnine |
20:01
|

" ---------------------------------------------------------------
segunda-feira, 21 de maio de 2007
|
(será que arrisco?)
o corpo inflamado pela violência de outro corpo que falta à noite incandescente.
(a boca destinada à terra as unhas destinadas às cinzas)
29 de Dezembro de 2004Etiquetas: a intacta ferida, escrever, little black spot |
posted by saturnine |
19:40
|

" ---------------------------------------------------------------
sábado, 19 de maio de 2007
|
há dias assim. hoje, de todo, não me apetece a poesia. é que não há uma fibra que seja em mim que me peça a poesia. deve ter sido certamente deste calor desconcertante ou do transtorno que é lembrar-te.
9 de Agosto de 2003Etiquetas: escrever, little black spot, poesia |
posted by saturnine |
21:33
|

" ---------------------------------------------------------------
|