sexta-feira, 13 de julho de 2007

 

 

mínimo

 

 

mesmo se ensaio
erro o gesto
- é cedo ainda.

27 de Outubro de 2005

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posted by saturnine | 19:08 | 0 comments

 

 

 

 

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descendo >>>

descendo
ao último abrigo das palavras
a morte é tão só
uma sombra sobre a página.

10 de Julho de 2005

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posted by saturnine | 18:38 | 0 comments

 

 

 

 

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gestos mínimos

 

 

há demasiado mundo, demasiado sol, demasiada pele. existir assim tanto, num modo epicurista, pouco sobra para as palavras. morar dentro de uma água verde como fingir pertencer a uma moradia de férias. pela primeira vez, o verão chega-me a tempo e é bom não saber de mim.

9 de Junho de 2005

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posted by saturnine | 18:35 | 0 comments

 

 

 

 

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sábado, 7 de julho de 2007

 

 

do minimalismo

 

 

não há palavras emergentes, ou há demasiado mundo à volta.

9 de Abril de 2005

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posted by saturnine | 18:30 | 0 comments

 

 

 

 

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

 

 

post-scriptum

 

 

Era preciso escrever, mesmo apesar do cansaço, e da pesada fibra nocturna da penumbra. Escrever para resgatar o tempo que passa, os momentos que adiei para depois, escrever como quem procura salvar alguma coisa, sabendo bem — como Duras — que a escrita não salva de coisa nenhuma. E é verdade que os dias de sol não servem para escrever, aprendemos a guardar as palavras na margem da boca, para depois, porque a primeira urgência é apenas fruir do lento ardor do solo. Por isso se guarda este ofício para as noites, quando as sombras se abeiram da insónia, mesmo quando não há medo, mesmo quando há só silêncio pacífico. Respiro o azul-negro das horas tardias já em pressentimento do verão, a partir de agora sei que a minha estação está próxima e que em breve desenrolarei os membros entorpecidos, como asas guardadas pelo inverno. Acontece que voltei a ver com frequência o rosto diluído da mulher junto ao cais, o seu vestido branco ondulando ao sabor do vento, e sei que naquele ar há um perfume de magnólias. O mar está próximo, e sei que se caminhar, se a vir dar um passo, há-de ir pelo meio das ruas estreitas de uma vila pequena em direcção à praia, onde os muros brancos de cal ardem sobre o sol, e os amantes que passam descansam o medo à sombra das amoreiras.

27 de Abril de 2004

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posted by saturnine | 17:22 | 0 comments

 

 

 

 

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*jasmim*

a palavra circunda
um ponto branco
mas não apreende
a substância do seu perfume

é este o odor das noites
ocupando o espaço todo
disponível para o silêncio

escrever —
— ainda tão distante
da matéria do amor.

12 de Abril de 2004

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posted by saturnine | 17:13 | 0 comments

 

 

 

 

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titubeando

ainda não passou
ainda não é seguro que volte
não é ainda tempo de assentar
os pés neste chão

ouso apenas um risco
para contrapôr ao silêncio

sem vestígio do hábito
que matéria sustentaria os meus dias?

12 de Março de 2004

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posted by saturnine | 17:01 | 0 comments

 

 

 

 

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quinta-feira, 21 de junho de 2007

 

 

apontamento

 

 

sabes que escrevo com as mãos frias. escrevo como quem escava, violento os dedos pálidos que desfalecem no rigor do inverno no interior deste quarto. há uma janela fechada e um telefone que hoje não toca. recordo vagamente este lugar, noutros tempos. recordo o mesmo frio, o mesmo canto escuro que tudo sabe de mim, este mesmo aperto no peito que é a minha respiração interna, e sempre sempre sempre a falta de alguma coisa, de um suspiro teu, um sopro, um afago, ou um vento quente pela noite, qualquer coisa que me acolha. há-de passar. a noite longa não durará para sempre. há já cheiro a pêssegos nos teus cabelos.

30 de Janeiro de 2004

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posted by saturnine | 20:38 | 0 comments

 

 

 

 

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[para uma noite fria]

estremeço
desdobro-me em arrepio
mas ainda assim
não arrisco.

19 de Novembro de 2003

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posted by saturnine | 20:01 | 0 comments

 

 

 

 

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segunda-feira, 21 de maio de 2007

 

 

 

 

(será que arrisco?)

o corpo inflamado pela violência
de outro corpo que falta
à noite incandescente.

(a boca destinada à terra
as unhas destinadas às cinzas)

29 de Dezembro de 2004

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posted by saturnine | 19:40 | 0 comments

 

 

 

 

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sábado, 19 de maio de 2007

 

 

 

 

há dias assim.
hoje, de todo, não me apetece a poesia.
é que não há uma fibra que seja em mim que me peça a poesia.
deve ter sido certamente deste calor desconcertante
ou do transtorno que é lembrar-te.

9 de Agosto de 2003

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posted by saturnine | 21:33 | 0 comments

 

 

 

 

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