quinta-feira, 21 de junho de 2007
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apesar do frio
porque nos desertos os deuses habitam ainda os lugares recônditos do silêncio aqui me sento e espero a poesia
apesar do frio
14 de Fevereiro de 2004Etiquetas: deserto, do frio, little black spot |
posted by saturnine |
21:40
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apontamento
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sabes que escrevo com as mãos frias. escrevo como quem escava, violento os dedos pálidos que desfalecem no rigor do inverno no interior deste quarto. há uma janela fechada e um telefone que hoje não toca. recordo vagamente este lugar, noutros tempos. recordo o mesmo frio, o mesmo canto escuro que tudo sabe de mim, este mesmo aperto no peito que é a minha respiração interna, e sempre sempre sempre a falta de alguma coisa, de um suspiro teu, um sopro, um afago, ou um vento quente pela noite, qualquer coisa que me acolha. há-de passar. a noite longa não durará para sempre. há já cheiro a pêssegos nos teus cabelos.
30 de Janeiro de 2004Etiquetas: do frio, escrever, little black spot, prosa |
posted by saturnine |
20:38
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à luz fria de novembro por entre as ruas, por entre as árvores no espelho iluminado do rio, o vento balançando as sombras presas aos pés e nós com as mãos perdidas pelos bolsos o teu rosto aceso possivelmente como as noites de inverno afinal se tecem de uma inexplicável claridade.
26 de Novembro de 2003
[dezembro]
ser o nome que o frio divide a cidade estranha onde tu faltas onde o vento sobra nas árvores as mesmas mãos mas perdidas pelos bolsos como pedras lisas que olho atravesso e pergunto se ainda sabem coisas de ti.
27 de Novembro de 2003
[do frio]
à falta de um abrigo para dezembro aqueço-me na memória distante da estrada que arde sob o sol da tarde lancinante atrás dos montes onde aprendemos no sal da pele a lentidão dos dias [não havia ainda mundo para conquistar nem morte que se anunciasse]
27 de Novembro de 2003Etiquetas: do frio, inverno, little black spot |
posted by saturnine |
20:05
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