segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Fruto saturnino
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quando Setembro chega, a polpa dos meus dedos adquire a súbita coloração das romãs. como um signo interno reconhecido: é altura de recolher a uma condição subterrânea. a terra também se faz das pequenas mortes. lembro-me que é sempre no outono que a memória evoca os lugares da infância. eu serei o que puder dizer que lembro de mim. da familiaridade se constrói a escrita. há um lugar em mim onde é sempre Novembro de folhas caídas. nalgum lugar em mim há gente espalhada pela casa, livros novos embrulhados em papel colorido, e cheira a castanhas assadas e madressilvas no caminho.
11 de Setembro de 2007 Etiquetas: fruto saturnino |
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21:05
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sexta-feira, 13 de julho de 2007
romã
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raramente digiro os abandonos da minha vida. parto, carrego o que dói, cicatrizo na distância. na desordem destes dias, evadi-me daquele corpo contra o qual a noite não podia. atroz a sede, impenetrável o silêncio das horas longas. (olharás tu para um canto onde não estou, nalgum lugar almofadado estará impressa a marca do meu corpo, terás percebido que parti?) é a massa informe de setembro, a terra que me reclama, e de mãos crispadas eu sigo para o interior, com um fruto amargo atravessado na garganta.
5 de Setembro de 2005Etiquetas: a intacta ferida, fruto saturnino, little black spot |
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18:58
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
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húmus
do Lat. humus s. m., (Bot.), terra vegetal que fornece a nutrição às plantas;
material orgânico derivado da decomposição de matéria animal e vegetal que existe (em mistura) na camada superior dos solos.
porque o corpo pertence à terra e porque os olhos são fundas raízes pela noite adentro são afinal as cinzas o nosso alimento que as mãos revolvem
— é ser-se fértil onde outros perecem matéria-prima do silêncio ou dos regressos um olhar para dentro saber
(não há nada que morra ou se esgote).
14 de Fevereiro de 2004Etiquetas: dos subterrâneos, fruto saturnino, little black spot |
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21:39
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:: os frutos ::
prolongo a acidez, recordo noites distantes, o vento na face, o rio para lá da estrada, a claridade inesperada da imensa noite negra. aconchego a saudade como um fruto. sacio a sede de palavras na acidez que imagino.
27 de Dezembro de 2003Etiquetas: fruto saturnino, inverno, little black spot, prosa |
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20:20
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assim o inverno
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chega o tempo das laranjas. das camisolas brancas, dos cachecóis às riscas, das mãos que finalmente sucumbem às luvas, gelando por baixo da lã a ausência habitual. é tempo de abrir as janelas de par em par, deixar entrar a claridade breve das manhãs de sol. é quase tempo dos dias que crescem. se fecho os olhos por um instante, se me descuido, é subitamente verão e não fechei ainda todos os livros espalhados pela casa. sento-me na pedra fria e murmuro palavras improváveis. espero-te ainda.
é tempo de laranjas de dedos em ferida descascando gomos de um corpo semelhante ao sol que transporta em si qualquer coisa doce ácida escarlate necessária para que seja possível conhecer-se o sabor de Janeiro.
27 de Dezembro de 2003Etiquetas: fruto saturnino, inverno, little black spot |
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20:10
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domingo, 10 de junho de 2007
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por tua causa recordo a infância vertebrada de afectos
por tua causa, o cheiro das uvas nas urzes dos montes
se me falam de figos de mesas de Natal de sol gelando na face ou de qualquer outra coisa densa próxima táctil
acredito na intimidade das sombras na natureza outonal do meu nome.
22 de Setembro de 2003Etiquetas: fruto saturnino, little black spot, outonal |
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15:45
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